Histórias da Cacau
Há lugares que ficam na memória não apenas pelo que são, mas pela forma como nos fizeram sentir.
Aqui partilhamos histórias reais de lugares e pessoas que receberam a Cacau com respeito, carinho e uma hospitalidade que nunca esquecemos.
Um lugar onde nos deixaram ficar juntos
A Cacau tinha acabado de sair do hospital. Estava muito fragilizada e nós precisávamos apenas de um lugar onde pudéssemos continuar juntos.
Foi então que encontrámos no SM Hotel, em Linda-a-Velha, muito mais do que um lugar para ficar: encontrámos carinho, atenção e uma gentileza que nunca esquecemos.

Naquele dia, ela teve alta depois de tudo o que tínhamos vivido. Não se mexia. Era uma Shih Tzu pequenina, com apenas seis quilos, que levávamos embrulhada num cobertor.
Nós estávamos alojados numa casa onde não eram permitidos animais. Ainda assim, ligámos ao proprietário. Explicámos a situação, dissemos que a Cacau não se conseguia sequer mexer e perguntámos se, excecionalmente, poderíamos ficar ali com ela durante mais três dias.
A resposta foi não.
Naquele momento não queríamos discutir regras nem convencer ninguém. Precisávamos apenas de encontrar rapidamente um lugar tranquilo onde pudéssemos cuidar dela e, sobretudo, onde pudéssemos continuar juntos.
Lembrámo-nos então de um hotel em Linda-a-Velha onde já tínhamos ficado algumas vezes: o SM Hotel.
Pegámos na Cacau, embrulhada no seu cobertor, e fomos diretamente para lá.
Assim que entrámos na receção, o senhor que estava a receber-nos aproximou-se imediatamente dela. Fez-lhe uma festinha, perguntou o que tinha acontecido e ficou muito sensibilizado ao vê-la naquele estado.
E depois fez uma pergunta muito simples:
“O que precisam?”
Pode parecer pouco. Naquele dia, para nós, significou muito.
Já no quarto, começámos a ter medo de que a Cacau tentasse arrastar-se pelo chão e acabasse por se magoar. Telefonámos para a receção e perguntámos se seria possível arranjarem-nos um edredom para colocarmos no chão.
Pouco depois, bateram à porta.
Era o edredom.
Sem complicações. Sem nos fazerem sentir que estávamos a pedir demasiado. Apenas perceberam que precisávamos de ajuda e ajudaram.
E foi assim durante toda a nossa estadia.
Sempre que passávamos pela receção, perguntavam pela Cacau. Queriam saber como estava, se estava melhor, se precisávamos de alguma coisa.
Ofereceram-lhe biscoitos. Ofereceram-lhe também um brinquedo que, naquele momento, ela nem sequer conseguia usar.
Hoje, a Cacau brinca muito com esse brinquedo.
Talvez seja uma das recordações mais bonitas daqueles dias. Um presente dado a uma cadelinha que mal se conseguia mexer tornou-se, mais tarde, um brinquedo de uma Cacau que voltou a brincar.
Mas há algo que torna esta história ainda mais especial.
O tempo passou e eles não se esqueceram dela.
Ainda hoje, quando voltamos ao SM Hotel, perguntam pela Cacau. Quando a veem, aproximam-se para lhe fazer festas. Lembram-se dela e lembram-se daquela pequena cadelinha que um dia entrou pela receção embrulhada num cobertor.
Nós também nunca nos esquecemos deles.
Porque há lugares de que nos lembramos pelo quarto, pela vista ou pelas instalações.
E há outros de que nos lembramos pela forma como nos receberam quando mais precisávamos.
Naqueles dias, o SM Hotel não foi apenas o hotel onde ficámos.
Foi o lugar onde nos disseram que podíamos continuar juntos.
E essa gentileza, esse carinho, esse apoio e esse bem receber são coisas que nunca esqueceremos.
Porque eles são família. ❤️🐾
— Cacau VII

Uma mesa para três
Precisávamos de ir à Serra da Estrela.
Como sempre, procurámos um hotel onde pudéssemos ficar com a Cacau. Encontrámos a Pousada da Serra da Estrela e fizemos a reserva.
Quando chegámos, fomos muito bem recebidos.
Ao entrarmos no quarto, percebemos que a Cacau também estava a ser esperada.
Tinha uma cama preparada para ela, duas taças — uma para a água e outra para a comida e ainda um pequeno kit com alimentos.
Naquela altura, estes gestos tinham para nós um significado ainda maior.
A Cacau continuava muito fragilizada e ainda mal conseguia andar. Não podíamos, de maneira nenhuma, deixá-la sozinha no quarto.
Na manhã seguinte, chegou a hora do pequeno-almoço.
Levámo-la connosco e explicámos a situação: a Cacau não podia ficar sozinha e nós precisávamos de a ter sempre ao nosso lado.
Não sabíamos muito bem como iríamos resolver.
Mas eles resolveram por nós.
Montaram-nos uma mesa no lobby para podermos tomar o pequeno-almoço com a Cacau ao nosso lado.
Pode parecer apenas uma mesa.
Para nós, naquele momento, foi muito mais do que isso.
Foi alguém perceber que não estávamos a pedir um privilégio. Estávamos apenas a tentar cuidar de uma cadelinha que ainda não conseguia ficar sozinha.
E aquele gesto não aconteceu apenas uma vez.
Sempre que voltámos, enquanto a Cacau continuou sem conseguir andar normalmente, prepararam-nos a nossa mesa para o pequeno-almoço, fora da sala, para que ela pudesse permanecer connosco.
E, de cada vez que regressamos, há coisas que se repetem.
Perguntam pela Cacau.
No quarto, ela continua a encontrar a sua cama à espera, as duas taças e o seu kit.
São pequenos detalhes. Mas são precisamente esses detalhes que nos dizem que ela não foi apenas autorizada a entrar. Foi recebida.
Há lugares que nos marcam pelo que têm.
E há lugares que ficam connosco pelo que estão dispostos a fazer para que uma família possa continuar junta.
Na Pousada da Serra da Estrela, houve uma mesa que nunca esquecemos.
Uma mesa para três.
Porque eles são família. ❤️🐾
— CACAU VII
Quando estávamos preparados para ficar lá fora
Naquele dia, a Cacau não estava bem.
Precisou de ir ao hospital, em Portimão, e nós tínhamos também um trabalho para fazer em Lagos. Como não podíamos deixá-la, levámo-la connosco.
O trabalho acabou por se atrasar e, quando terminámos, já eram horas de jantar.

Felizmente, tínhamos levado o jantar da Cacau. Mas nós ainda precisávamos de comer e sabíamos que, quando finalmente chegássemos a casa, seria demasiado tarde e já não teríamos vontade de preparar o jantar.
Fomos então até à Praia da Luz à procura de um restaurante.
Era fevereiro. Estava inverno e estava muito frio.
Levávamos a Cacau connosco, ainda bastante debilitada, e entrámos num restaurante para perguntar se poderíamos jantar.
Como tínhamos uma cadelinha, pedimos uma mesa na esplanada.
Estávamos preparados para ficar lá fora.
Mas a resposta foi imediata:
“Não há problema nenhum. Podem entrar. A cadelinha pode ficar convosco.”
Mandaram-nos entrar para o restaurante, onde estaríamos muito mais confortáveis e quentes.
Sentámo-nos.
E, antes de termos sequer pedido alguma coisa, apareceu uma grande taça de água para a Cacau.
Nem tivemos de pedir.
Pode parecer um gesto pequeno.
Para nós, naquele momento, não foi.
Tínhamos passado o dia preocupados com a Cacau, tínhamos ido ao hospital, trabalhado e chegávamos ao final do dia cansados, com uma cadelinha ainda fragilizada.
E, de repente, não precisávamos de explicar mais nada.
Não precisávamos de ficar ao frio.
Não precisávamos de perguntar se podiam trazer água.
Não precisávamos de sentir que a presença da Cacau era uma dificuldade.
Simplesmente fomos recebidos.
Os três.
E foi isso que nos encheu o coração.
Porque há uma diferença enorme entre um lugar onde um animal pode entrar e um lugar onde a sua presença é recebida com naturalidade.
Ali, naquele jantar na Praia da Luz, sentimos exatamente isso.
Sentimos que a Cacau não era um problema a resolver nem uma exceção que estavam a abrir.
Éramos simplesmente uma família que tinha chegado para jantar.
E talvez seja por isso que continuamos a voltar tantas vezes ao Azul.
Porque há restaurantes onde regressamos pela comida.
E há outros onde regressamos também pela forma como nos fizeram sentir.
Porque eles são família. ❤️🐾
— CACAU VII
E há muitas histórias por contar
Ao longo das nossas viagens, fomos encontrando lugares e pessoas que nos surpreenderam pela forma como receberam a Cacau.
Algumas histórias nasceram de grandes gestos. Outras de coisas tão simples como uma taça de água, uma cama preparada ou um “ela pode entrar”.
Vamos contá-las aqui, uma a uma.

Há gestos que ficam para sempre.
Uma cama preparada.
Uma mesa montada para que pudéssemos ficar juntos.
Uma taça de água que chegou sem precisarmos de pedir.
Pequenos gestos. Grandes memórias.
É por eles que continuamos a contar estas histórias.
Porque eles são família.
Há lugares que ficam connosco.
Ao longo das nossas viagens, encontrámos hotéis, restaurantes e outros lugares onde pequenos gestos fizeram toda a diferença.
São esses encontros, essas pessoas e essas memórias que queremos guardar e partilhar.

